Espaços e Laços 57

In-Vocação e E-Vocação
Para ter feliz destino final, a genuína vocação precisa, constantemente, voltar à sua origem fontal (mediante a invocação) e ao seu sustento habitual (através da evocação). Uma vez que ontem celebramos o grande Agostinho, valho-me de sua intuição e inspiração para discorrer sobre as dimensões invocadora e evocadora da vocação cristã.
Invocação
Entre outros significados, quer dizer chamar para dentro (in-vocare). Em nossas reflexões vocacionais pretende lembrar o chamado a que Deus venha para dentro de nós para renovar e fortalecer o chamado que nos fez. A obra é dele e é nossa. Logo, pedimos-lhe ajuda, chamando-o em causa para nos amparar, conduzir, iluminar. Somos feitos para Deus, e nossa inquietude se acalma somente quando ele nos habita ou quando nele repousamos. “Fecisti nos ad te et inquietum est cor nostrum, donec requiescat in te… Quaeram te, Domine, invocans te, et invocem te credens in te”: “Fizeste-nos para ti e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti… Que eu te busque, Senhor, invocando-te; e que eu te invoque, crendo em ti” (Santo Agostinho, Confissões, Livro I, 1).
Contudo, pode acontecer que eu esteja disperso, longe de mim e, por isso, longe de Deus que me habita. “Tu autem eras interior intimo meo et superior summo meo”: “Tu estavas mais dentro de mim do que a minha parte mais íntima. E eras superior a tudo o que eu tinha de mais elevado” (Santo Agostinho, Confissões, Livro III, 6). Neste caso, a “invocação” é um chamado dirigido a mim mesmo, a superar a dispersão, retornar a mim, reencontrar Deus em si ou em mim. Depois de reencontra-lo em mim, sim, encontrá-lo onde ele quiser e encontrar-me nele, onde estiver.
Evocação
Dos diversos significados que possui, tem o de chamar para fora de si (ex-vocare). Em toda vocação humana, especialmente a cristã, cada fiel é co-protagonista da vida e da vocação. Por isso cabe, sempre de novo, a evocação. Quer dizer, extrair de si as razões para retomar ou continuar a resposta ao chamado à vida e a uma forma específica de vivê-la. É preciso, pois, chamar de dentro de si motivações e convicções vocacionais, a fim de não se paralisar jamais.
“Intravi in intima mea, duce te, et potui, quoniam factus es adiutor meus”: “Entrei no íntimo do meu coração, por ti conduzido, e o consegui, porque te fizeste meu auxílio” (Santo Agostinho, Confissões, Livro VII,10).
Desse modo a evocação é irmã da memória e da recordação. Soa, semelhantemente, com a repreensão/ recomendação de Ap 2,3-5: “Você é perseverante, sofreu por causa do meu nome mas não esmoreceu. Devo reprovar, contudo, por ter abandonado o seu primeiro amor. Recorde-se, pois, de onde caiu, converta-se e retome a conduta de outrora”. O convite evidente, pois, é o de lembrar, fazer memória dos melhores momentos vividos, para que sirvam de inspiração e motivação para melhorar ou aprimorar a vocação.
Em tal sentido positivo, recordar e evocar, é viver, faz viver. Fernando Pessoa, ao afirmar “Tenho em mim todos os sonhos do mundo”, na verdade convida a evocá-los e viver sob a sua inspiração e, possivelmente, leva-los à realização.
P. Mariano,scj.
TEMÁRIO
02. Para começar…
Igreja e Congregação
03. Palavra de Padre Dehon
04. A Palavra de Deus no Concílio Vaticano II
05. Saúde de P. Donizeti, Provincial da BRM
06. Falecidos de Agosto/2014
Província BSP e Distrito BSL
07. Festa em Taubaté: Faculdade Dehoniana e P. Zezinho
08. Saúde: Comunicações sobre P. Honório e P. Augusto
09. Volta de Padre Franco ao convívio dehoniano
10. Celebração de Envio de Fr. Rafael, na Penha do Rio
11. Eleições 2014: Vamos Votar!
12. P. Zezinho: teologia e devoção feitas poesia e canção
13. Saberes e Sabores