Palavra de Padre Dehon (E&L 67)

Sétima Meditação (1) – Preparação do sacerdócio de Jesus Cristo:
A família do Salvador e a sua infância
Jesus crescia em idade, em sabedoria e em graça (Lc 2,52). Ele quis este crescimento aparente, e mesmo real no que diz respeito à ciência experimental. Era para passar por todas as nossas fraquezas, exceto o pecado, e para nos dar o exemplo em todos os estados da vida.
Pela mesma razão, quis que houvesse uma espécie de preparação do seu sacerdócio, na qual encontramos ensinamentos e encorajamentos preciosos.
1. Jesus quis que o seu sacerdócio tivesse uma preparação aparente
Jesus é sempre sacerdote: Tu es sacerdos in aeternum. Desde o instante da sua concepção, é sacerdote. Presta no seu coração ao seu Pai todos os deveres e todas as homenagens da adoração, do amor, da gratidão, da reparação, da oração.
Um só instante da vida humana, a humilhação da Encarnação ser-lhe-ia suficiente para satisfazer ao seu Pai. Mas Ele não é sacerdote somente para o seu Pai, é-o por nós, sacerdotes e fiéis, e, para que nós compreendêssemos bem todas as características do seu sacerdócio, quer desenvolvê-lo sob os nossos olhos durante trinta e três anos. Quer passar por todas as fases de uma vida sacerdotal: preparação, ministério público, consumação no sacrifício.
Foi sobretudo para nós sacerdotes, que Ele quis isto, e para nos fornecer o exemplar da vida sacerdotal. Se o divino Coração amou todos os homens, não amou particularmente os seus apóstolos? “Vós não sois somente meus servos, disse-lhes, mas vós sois meus amigos” (Jo 15,15).
2. A sua família
A vocação sacerdotal é muitas vezes preparada por piedosos antepassados. Há muitas vezes entre as causas determinantes da nossa vocação os exemplos, as orações, os méritos de uma mãe, de uma avó ou de outros familiares. Não vemos também aqui, como prelúdio ao Ecce venio de Jesus, o Ecce Ancilla de Maria, e a vida santa e pura da Virgem imaculada, a humildade de José, pai adotivo do Salvador, a dignidade de Santa Ana e de São Joaquim?
Jesus quer que nós guardemos a recordação destas santas preparações. São Paulo diz a Timóteo: “Recorda-te da fé da tua avó e da tua mãe” (2Tm 1,5).
Muitas vezes também, houve nas gerações precedentes da família do sacerdote, outras vocações de sacerdotes, de religiosos, de religiosas. Jesus, por Maria, descendia simultaneamente da família de Judá e da tribo de Levi.
Muito frequentemente os piedosos antepassados do sacerdote passaram por provações. Santa Ana e São Joaquim foram desprezados, Maria e José viveram na pobreza.
Se nós reconhecemos o toque divino na origem da nossa vocação, exprimamos a nossa gratidão ao divino Coração de Jesus.